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Responsabilidades Sociais das Empresas

Por Romilson Marques Cabral*

Recife - Este artigo procura mostrar as contradições entre discurso e prática das empresas no tocante as suas declaradas resposnabilidades sociais.

As empresas competem globalmente numa luta fratricida em busca de novas porções de mercado. Tal fato tem estimulado a criatividade entre os gestores empresariais, sempre orientados pelo comportamento do ambiente externo, como recomendam os clássicos manuais de administração.

Para conquistar novos clientes, pretensamente, cada vez mais conscientes de seus direitos e deveres de consumidores e de cidadãos. Várias estratégias tem sido recomendadas, para a formação de uma imagem mais positiva das empresas junto ao público externo e interno, destacando-se duas delas ultimamente: a proteção ao meio ambiente, e a responsabilidade social das empresas.

Em relação as responsabilidades sociais, os marketeiros tem orientado para que seus clientes – as empresas - demonstrem sensibilidade para os problemas sociais decorrentes das imperfeições de mercados, patrocinando programas de ajuda às comunidades. Com isso, haveria uma espécie de mitigação dos problemas sociais, na perspectiva de que os consumidores seriam simpáticos a essas atitudes, adquirindo como conseqüência, produtos e serviços desses benfeitores aumentando-lhes as margens de lucro.

Essa prática tem se tornado crescente, embora alguns autores, como o economista Milton Friedman, advirtam que a verdadeira função social das empresas seria o lucro, e o único alvo de sua atenção, seus acionistas. A premissa é de que o lucro já seria capaz de ampliar a riqueza, o emprego e o bem estar de todos.

Admitindo-se como certa, a posição da outra corrente de pensamento – a que acha que as empresas devem ajudar também a comunidade e seus funcionários. O que se questiona é a eficácia dessas ajudas, quando o peso da propaganda na mídia é muito maior do que aquilo que objetivamente se faz, o que eu denominaria: responsabilidade social enganosa.

Isso sem considerar a pouca relevância dessa ajuda em relação ao que elas extraem da sociedade sob outras formas, nutrindo indiretamente – através de lobbies - seus acionistas e através de maiores lucros.

Na prática, isso se traduz em isenções de tributos, doações de infra-estrutura de implantação pelo estado – como estradas e eletrificação - preferência por aquisição dos seus produtos e serviços entre outros artifícios.

Esse ganhos acabam quase sempre, por afetar de alguma forma, aqueles que detém menor poder de barganha - como é o caso das pequenas empresas – as quais perdem competitividade, e alguns segmentos da população, normalmente os mais pobres, que são expropriados dos seus direitos mais fundamentais como, saúde e educação, em troca de benefícios fiscais, sob a alegação da maior geração de emprego, o que nem sempre se traduz num benefício/custo favorável para determinada região e/ou país.

Grandes empresas tem investido em contribuições sociais, alardeando-as na mass media, sem que essas contribuições sejam devidamente explicitadas para o público e quando o são, revelam a sua escassa contribuição àqueles que dizem ajudar, se comparada ao faturamento e lucratividade dessas empresas.

Imagino, que um pequeno empreendedor, que ajuda algumas famílias vizinhas em comunidades pobres, contribuem relativamente muito mais, do que aqueles que detém poder de mídia para alardear seus feitos. Talvez, por vivenciarem os primeiros, mais de perto, a miséria humana, ou para serem pragmáticos, ao tentar refrear um pouco mais a agressividade latente do ambiente que o cerca.

Penso que esse assunto deveria ser estudado melhor, na perspectiva inclusive de criação de um Índice de Responsabilidade Social, onde talvez, pudesse se conferir um selo de responsabilidade social, as empresas, tipo um ISO 21000.

Para construir tal índice, poderia sugerir em principio, a eleição de três grandes indicadores: um para o público interno, outro para o público externo e um terceiro para o compromisso ético. Por exemplo, qual a contribuição da empresa versus lucro, para o seu público interno, no tocante a pagamento e distribuição de ganhos extra salário – bolsas de estudo, viagens de lazer, gastos com saúde etc. . Um Indicador de empregabilidade de mão de obra, por exemplo, quanto mais pessoas a empresa empregasse em relação ao faturamento das congêneres, mais pontos obteria.

Para o público externo; qual o montante dos gastos sociais, em relação ao faturamento, da empresa.

Minha maior dúvida, por enquanto, seria, como quantificar a contribuição ética da empresa para com a sociedade como um todo, mas acho que seria possível. Por exemplo, quanto a empresa tem investido – versus lucro - para tornar seus produtos mais saudáveis, ou gastos que contribuam com uma menor violência, ou ainda, um investimento realizado para que houvesse um processo eleitoral mais democrático.

Essa discussão, é bom que se diga, por enquanto, fica na esfera das empresas, não se considera o papel do Estado nesse processo. Se é para ter responsabilidade social tem que ser pra valer, não pode ser na base do faz de conta, enganando o consumidor bem intencionado e mal informado. Só servindo como jogada de marketing. Ao sociedade tem que saber o peso dessa ajuda.

Romilson Marques Cabral* mestre em administração rural, economista, professor assistente da UFRPE da disciplina administração rural e administração florestal

E-mail: rmcabral@netpe.com.br

 

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