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Recife
- Este artigo procura mostrar as contradições
entre discurso e prática das empresas no tocante as
suas declaradas resposnabilidades sociais.
As empresas
competem globalmente numa luta fratricida em busca de novas
porções de mercado. Tal fato tem estimulado
a criatividade entre os gestores empresariais, sempre orientados
pelo comportamento do ambiente externo, como recomendam os
clássicos manuais de administração.
Para conquistar
novos clientes, pretensamente, cada vez mais conscientes de
seus direitos e deveres de consumidores e de cidadãos.
Várias estratégias tem sido recomendadas, para
a formação de uma imagem mais positiva das empresas
junto ao público externo e interno, destacando-se duas
delas ultimamente: a proteção ao meio ambiente,
e a responsabilidade social das empresas.
Em relação
as responsabilidades sociais, os marketeiros tem orientado
para que seus clientes as empresas - demonstrem sensibilidade
para os problemas sociais decorrentes das imperfeições
de mercados, patrocinando programas de ajuda às comunidades.
Com isso, haveria uma espécie de mitigação
dos problemas sociais, na perspectiva de que os consumidores
seriam simpáticos a essas atitudes, adquirindo como
conseqüência, produtos e serviços desses
benfeitores aumentando-lhes as margens de lucro.
Essa prática
tem se tornado crescente, embora alguns autores, como o economista
Milton Friedman, advirtam que a verdadeira função
social das empresas seria o lucro, e o único alvo de
sua atenção, seus acionistas. A premissa é
de que o lucro já seria capaz de ampliar a riqueza,
o emprego e o bem estar de todos.
Admitindo-se
como certa, a posição da outra corrente de pensamento
a que acha que as empresas devem ajudar também
a comunidade e seus funcionários. O que se questiona
é a eficácia dessas ajudas, quando o peso da
propaganda na mídia é muito maior do que aquilo
que objetivamente se faz, o que eu denominaria: responsabilidade
social enganosa.
Isso sem
considerar a pouca relevância dessa ajuda em relação
ao que elas extraem da sociedade sob outras formas, nutrindo
indiretamente através de lobbies - seus acionistas
e através de maiores lucros.
Na prática,
isso se traduz em isenções de tributos, doações
de infra-estrutura de implantação pelo estado
como estradas e eletrificação - preferência
por aquisição dos seus produtos e serviços
entre outros artifícios.
Esse ganhos
acabam quase sempre, por afetar de alguma forma, aqueles que
detém menor poder de barganha - como é o caso
das pequenas empresas as quais perdem competitividade,
e alguns segmentos da população, normalmente
os mais pobres, que são expropriados dos seus direitos
mais fundamentais como, saúde e educação,
em troca de benefícios fiscais, sob a alegação
da maior geração de emprego, o que nem sempre
se traduz num benefício/custo favorável para
determinada região e/ou país.
Grandes
empresas tem investido em contribuições sociais,
alardeando-as na mass media, sem que essas contribuições
sejam devidamente explicitadas para o público e quando
o são, revelam a sua escassa contribuição
àqueles que dizem ajudar, se comparada ao faturamento
e lucratividade dessas empresas.
Imagino,
que um pequeno empreendedor, que ajuda algumas famílias
vizinhas em comunidades pobres, contribuem relativamente muito
mais, do que aqueles que detém poder de mídia
para alardear seus feitos. Talvez, por vivenciarem os primeiros,
mais de perto, a miséria humana, ou para serem pragmáticos,
ao tentar refrear um pouco mais a agressividade latente do
ambiente que o cerca.
Penso
que esse assunto deveria ser estudado melhor, na perspectiva
inclusive de criação de um Índice de
Responsabilidade Social, onde talvez, pudesse se conferir
um selo de responsabilidade social, as empresas, tipo um ISO
21000.
Para construir
tal índice, poderia sugerir em principio, a eleição
de três grandes indicadores: um para o público
interno, outro para o público externo e um terceiro
para o compromisso ético. Por exemplo, qual a contribuição
da empresa versus lucro, para o seu público interno,
no tocante a pagamento e distribuição de ganhos
extra salário bolsas de estudo, viagens de lazer,
gastos com saúde etc. . Um Indicador de empregabilidade
de mão de obra, por exemplo, quanto mais pessoas a
empresa empregasse em relação ao faturamento
das congêneres, mais pontos obteria.
Para o
público externo; qual o montante dos gastos sociais,
em relação ao faturamento, da empresa.
Minha
maior dúvida, por enquanto, seria, como quantificar
a contribuição ética da empresa para
com a sociedade como um todo, mas acho que seria possível.
Por exemplo, quanto a empresa tem investido versus
lucro - para tornar seus produtos mais saudáveis, ou
gastos que contribuam com uma menor violência, ou ainda,
um investimento realizado para que houvesse um processo eleitoral
mais democrático.
Essa discussão,
é bom que se diga, por enquanto, fica na esfera das
empresas, não se considera o papel do Estado nesse
processo. Se é para ter responsabilidade social tem
que ser pra valer, não pode ser na base do faz de conta,
enganando o consumidor bem intencionado e mal informado. Só
servindo como jogada de marketing. Ao sociedade tem que saber
o peso dessa ajuda.
Romilson
Marques Cabral* mestre em administração
rural, economista, professor assistente da UFRPE da disciplina
administração rural e administração
florestal
E-mail:
rmcabral@netpe.com.br
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