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CRISE DA ÁGUA: SP só atende demanda por água até 2010

MARIANA VIVEIROS e SIMONE IWASSO
da Folha de S.Paulo http://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u10308.shtml

SP só atende demanda por água até 2010

A crise de água que a Grande São Paulo vive hoje não é a primeira nem
será a última. Por causa de limites naturais na disponibilidade
hídrica, da poluição de rios e represas, da ocupação desordenada de
mananciais, do descaso no uso e da falta de políticas eficientes para
reeducar o consumo e reduzir perdas, a região só tem água garantida
até 2010.

Se o quadro atual não mudar, a partir daí, para acompanhar o aumento
da demanda, será preciso ir longe, gastar muito, enfrentar disputas
com outros Estados e causar impactos ambientais.

Com obras e mudanças no processo de produção, até 2006 os mananciais
poderão aumentar seu potencial de geração de água em 8.700 l/s,
passando de 65 mil para 73,7 mil l/s. O incremento segue o aumento
anual médio no consumo até 2010, no máximo.

A cada ano, são necessários mais 2.000 l/s para abastecer a Grande São
Paulo --sobretudo por causa da entrada de novos consumidores, com o
crescimento populacional na periferia.

Já prevendo escassez, a Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do
Estado de São Paulo) cogita quatro alternativas de abastecimento, das
quais as mais viáveis são o represamento do rio Capivari-Monos, na
área de proteção ambiental municipal de mesmo nome, em Parelheiros
(extremo sul da capital), e a captação no rio Juquiá, em Juquitiba
(Grande SP).

As outras duas opções são, da mais para a menos exequível, trazer água
do conjunto de represas de Paraibuna (a cerca de 120 km de SP); e
reverter o rio São Lourenço (que nasce em São Lourenço da Serra, na
Grande SP).

Todas as alternativas têm prós e contras, mas as dificuldades
ambientais, econômicas ou institucionais parecem ser maiores que os
benefícios de sua exploração. Isso leva ambientalistas e especialistas
a afirmar que seria melhor investir na recuperação e conservação dos
mananciais existentes e em medidas eficientes para forçar a população
a economizar água e a Sabesp a reduzir as perdas na rede.

Antonio Marsiglia, diretor de Produção e Tecnologia da empresa
concorda, mas não totalmente.

Inevitável

Estimando em cerca de 24 milhões a população da região metropolitana
em 2020, ele entende que é possível retardar ao máximo o uso de novos
mananciais, mas que isso seria inevitável.

A Grande São Paulo está na nascente dos rios que formam a bacia do
Alto Tietê, por isso a disponibilidade de água per capita é baixa
-200 mil litros por habitante por ano. A ONU recomenda 2 milhões de
litros anuais por pessoa.

As obras que aumentarão a produção dos sistemas em funcionamento
-investimento que beira os R$ 600 milhões-- já seriam uma forma de
adiar o gasto maior e o desgaste por trás dos projetos de médio e
longo prazo.

Elas se concentrarão no Alto Tietê, em Guarapiranga e no Rio Grande.
Outra alternativa seria aumentar o aproveitamento da represa Billings
para o abastecimento. Ela serve 1,3 milhão de moradores, mas tem
potencial para atender quatro vezes essa população, segundo estudo
feito em 2002 pelo ISA (Instituto Socioambiental).

Mas há dois problemas: ocupações ilegais e o uso para gerar energia.
Por isso a Sabesp tem planos de médio e longo prazo.

O rio Capivari-Monos poderia ajudar o abastecimento com mais 4.000 l/s.

Para tanto, seria preciso represá-lo --atualmente, a Sabesp capta
1.000 l/s no local. A proposta original da obra teve o estudo de
impacto ambiental rejeitado no início dos anos 90 e foi alterada --a
área alagada foi reduzida, e o bombeamento, reforçado. Mas não há
unanimidade em torno da idéia.

Enquanto especialistas como Ivanildo Hespanhol (titular e chefe do
Departamento de Engenharia Hidráulica e Sanitária da Poli/ USP) não
têm restrições, ambientalistas e o secretário do Verde e Meio Ambiente
do município, Adriano Diogo, têm um pé atrás.

Os motivos, além das terras indígenas na região, são a necessidade de
desmatar áreas de mata atlântica e seus possíveis impactos, diz
Marussia Whately, do ISA.

Já a proposta do Juquiá, que poderia aumentar a produção em 4.700 l/s
é mais bem vista pelos ambientalistas, mas seu custo a deixou na
gaveta até agora.

As outras duas opções não são cogitadas num médio prazo. Tirar água de
Paraibuna envolveria uma disputa com o Rio de Janeiro e Minas Gerais
-além disso, a oferta é limitada. Já o rio São Lourenço tem água de
sobra e poderia fornecer até 20 mil litros. Os problemas são
ambientais (a região também é de mata atlântica) e econômicos (a obra
é caríssima).

O GRANDE RIO, Brasília e Recife [ e as demais regiões metropolitanas
???????] também só tem a´gua até 2010 ou até 2020 se for feito o controle
das perdas e também dos desperdícios........depois a soluções ficam cada vez
mais caras e difíceis.........ou vamos partir para o racionamento completo....
VER o primeiro ARTIGO NA PÁGINA www.profrios.hpg.ig.com.br
saudações fluviais, prof. jorge paes rios.........

 

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