| INTRODUÇÃO
A CEDAE,
Companhia Estadual de Águas e Esgotos, é a responsável
pelo abastecimento de água; coleta, tratamento e destino
do esgoto em grande parte do Estado do Rio de Janeiro, empenhando-se
pela qualidade dos seus serviços prestados à
população. Ao focalizar o abastecimento de água,
a CEDAE trabalha para manter a qualidade de água tratada
dentro dos padrões de potabilidade exigidos pela Portaria
1469 do Ministério da Saúde de 2000. Para tanto,
esmera-se em monitorar a qualidade de água, desde o
manancial, passando pelas etapas de tratamento da água
até a rede de distribuição chegando à
casa dos consumidores. Ciente da responsabilidade de promover
a saúde e o bem-estar social, a CEDAE vem se preocupando
com a redução da qualidade da água de
seus mananciais, a qual determina incrementos de custos para
manter a qualidade de água distribuída e futuramente
a possível intratabilidade desta água in natura.
Presentemente, tal preocupação da CEDAE encontra-se
no seu maior Sistema de Tratamento de Água e um dos
maiores do Mundo, a ETA Guandu, o que impõe números
grandiosos como o abastecimento de oitenta porcento da população
do Município do Rio de Janeiro e Baixada Fluminense,
correspondendo em cerca de oito milhões de pessoas
com três bilhões e quinhentos milhões
de litros de água por dia. Tais números justificam
a preocupação da redução da qualidade
de água do rio Guandu a montante da captação
do Sistema de Tratamento do Guandu. A redução
da qualidade de água do rio Guandu verificada através
do monitoramento contínuo desde o final da década
de setenta, passando pela de oitenta e por fim, nesta última
década até hoje, é devida ao aumento
progressivo da poluição, principalmente nestes
últimos sete anos em que foram caracterizadas todas
as ações poluidoras: Efluentes Industriais,
Efluentes Sanitários, Depósito clandestino de
Resíduos Sólidos, Extração ilegal
de areia. Estas ações poluidoras estão
localizadas nos rios Guandu, Poços/Queimados e Cabuçu/Ipiranga.
O aumento progressivo da poluição é concordante
com o aparecimento da CODIN - Companhia de Desenvolvimento
Industrial de Queimados - no final da década de setenta;
o crescimento industrial do Município de Nova Iguaçu
e o aumento populacional, com crescimento desordenado, dos
Municípios de Queimados e Nova Iguaçu. A situação
geográfica atual que se verifica a montante da captação
de água da ETA Guandu, onde há o encontro do
rio Guandu com as lagoas que recebem os rios Poços/Queimados
e Cabuçu/Ipiranga potencializa o problema das ações
poluidoras, aumentando os custos de operação,
oferecendo riscos à tratabilidade da água .Desta
forma, os técnicos da ETA Guandu, através de
monitoramento contínuo da bacia do Rio Guandu, vêm
desde 1995 obtendo informações, pelas quais
conseguiram identificar todo um conjunto de agentes poluidores
que estão degradando o ecossistema local.Este trabalho
identifica todas as fontes poluidoras a montante da tomada
d'água da ETA Guandu e suas conseqüências
para o tratamento da água e discorre as vitórias
alcançadas, através deste monitoramento, para
a própria ETA Guandu.
Esquema:

METODOLOGIA
IDENTIFICAÇÃO
DAS FONTES GERADORAS DA DEGRADAÇÃO AMBIENTAL
Para compreender
melhor a extensão do problema da degradação
da bacia do Rio Guandu é apresentado, em anexo, um
quadro esquemático, mostrando a bacia do Rio Guandu,
uma foto aérea da CODIN/ Rio Guandu e uma foto aérea
da lagoa Guandu/Sistema de captação de água
bruta. Cabe ressaltar que o monitoramento foi estabelecido
próximo á tomada d'água, da seguinte
forma:
Rio Guandu:
Da Estrada Rio-São Paulo até a tomada d'água.
Rio dos Poços: Da Estrada Rio-São Paulo até
a sua foz, na Lagoa Guandu.
Rio Queimados: Da Estrada Rio-São Paulo até
o Rio dos Poços.
Rio Ipiranga: Apenas na sua foz.
Lagoa Guandu: em toda a sua extensão.
A identificação
de cada fonte geradora, associada a uma ou mais ações
poluidoras, foi realizada através de medidas laboratoriais,
incluindo físico-químicas e hidrobiológicas,
e investigação no local com comprovação
fotográfica.
RESULTADOS
Assim,
foi possível estabelecer os seguintes quadros, relativos
a identificação:
QUADRO
I
|
FONTE
|
AÇÃO
POLUIDORA
|
LOCAL
|
|
Areais
|
Extração
ilegal de aréia
|
Ao
longo do Rio Guandu
|
|
Coleta
de lixo municipal
|
Depósito
clandestino de lixo
|
Às
margens do Rio Guandu em Japeri
|
|
Região
Urbana
(Mun. Queimados)
|
Efluentes
sanitários e resíduos sólidos urbanos
|
Ao
longo do Rio Queimados e, a partir daí, Rio dos
Poços
|
|
CODIN
(Companhia de Desenvolvimento Industrial)
|
Efluentes
e resíduos sólidos industriais
|
Despejo
no Rio Queimados e, a partir daí, Rio dos Poços
|
|
Região
Urbana
(Mun. Nova Iguaçu)
|
Efluentes
Sanitários
|
Ao
longo do Rio Ipiranga
|
|
Indústrias
(Mun. Nova Iguaçu)
|
Efluentes
Industriais
|
Ao
longo do Rio Ipiranga
|
Para cada
ação poluidora, existe um conjunto de efeitos,
que fica estabelecido neste segundo quadro.
QUADRO
II
|
AÇÃO
|
EFEITO
|
| Extração
ilegal de aréia |
Descaracterização
das margens e do leito do Rio Guandu;
Elevação do parâmetro turbidez. |
| Depósito
clandestino de lixo |
Proliferação
de vetores (insetos, ratos...);
Geração de maus odores;
Contaminação do solo, águas superficiais
(no caso, Rio Guandu) e subterrâneas pelo chorume
(líquido escuro de alto poder poluidor, produzido
pela decomposição da matéria orgânica);
Elevação do parâmetro cor;
Grande quantidade de resíduo sólido plástico
nas águas do Rio Guandu. |
| Efluentes
sanitários e industriais |
Aumento
da carga orgânica (DBO, DQO, Namon., nitrato, sólidos
totais, condutividade, cor, alcalinidade);
Aumento de outros parâmetros (pH, cloreto, dureza);
Redução de oxigênio dissolvido, no
Rio dos Poços;
Rápido crescimento de plantas aquáticas
no Rio dos Poços e na Lagoa Guandu;
Alterações constantes na hidrobiologia da
Lagoa Guandu com muitas variedades de algas e outros microorganismos
(Eutroficação);
Ocorrência de bloom de algas na Lagoa Guandu;
Intenso processo de assoreamento do Rio dos Poços
e Lagoa Guandu. |
CONSEQUÊNCIAS
DOS EFEITOS DAS AÇÕES POLUIDORAS NO SISTEMA
DE TRATAMENTO DE ÁGUA DA ETA GUANDU
Os efeitos
listados no quadro acima têm sido observados na ETA
com uma freqüência cada vez maior, aumentando custos
de produção e trazendo dificuldades operacionais.
Os efeitos mais freqüentes serão apresentados
em quadro abaixo com respectiva conseqüência para
a ETA Guandu.
QUADRO
III
| EFEITO |
CONSEQÜÊNCIA |
| Aumento
da turbidez |
Aumenta o consumo de produtos químicos (coagulante,
cloro, cal);
Aumenta o gasto de água de operação. |
| Aumento
da alcalinidade |
Aumenta muito o consumo de coagulante químico e
consequentemente aumenta o consumo de cal. |
| Resíduo
sólido (plástico) |
Reduz o bombeamento de água bruta para a ETA
Guandu;
Entope
saída de esgoto, aumentando o gasto de água
de operação e reduzindo a eficiência
de remoção de lodo dos decantadores.
|
| Matéria
Orgânica |
Confere odor fétido no tratamento da água-
Aumenta o consumo de cloro;
Confere odor de cloramina à água tratada;
Aumenta a concentração de organo-clorados
(compostos carcinogênicos);
Aumenta o crescimento de algas na ETA;
Reduz a eficiência de sedimentação
dos flocos ao produzir gases a partir da fermentação
do lodo;
Aumenta o gasto de água de operação. |
\n';
document.write(barra);
}
}
changePage();
| Algas |
Reduz a eficiência de coagulação química;
Aumenta o gasto de água de operação;
Reduz o tempo de vida do leito filtrante;
Reduz a vazão de água tratada;
Aumenta o consumo de cloro;
Confere odor de cloramina à água tratada. |
| Detergente |
Confere odor característico à água
bruta;
Produz espuma durante o processo de tratamento da água
(aspecto negativo);
Reduz eficiência de coagulação química;
Confere odor característico à água
tratada. |
DINÂMICA
DA LAGOA GUANDU
A entrada
de água na lagoa é realizada pelo rio Poços/Queimados
com características anaeróbias e material altamente
sedimentável (assoreamento), e também, pela
confluência do rio Guandu com a lagoa. A saída
é realizada somente pela confluência do rio Guandu
com a Lagoa. A dinâmica de entrada e saída de
água da Lagoa é devida a alguns eventos. Eventos
que favorecem a entrada de água na Lagoa: aumento da
vazão do rio Guandu, sem operação da
Barragem Auxiliar; Manutenção da vazão
média do rio Guandu, com operação normal
das Barragens Auxiliar e Principal. Eventos que favorecem
a saída de água da Lagoa: Redução
de vazão do braço esquerdo do rio Guandu próximo
à captação da CEDAE, mediante operação
da Barragem Auxiliar; Manutenção da vazão
média do rio Guandu, com operação da
Barragem Principal; Ocorrência de chuvas na Sub-bacia
do rio dos Poços/Queimados, com manutenção
da vazão média do rio Guandu. Tal dinâmica,
tem conseqüências para as características
da água a ser captada na tomada d'água da ETA
Guandu, acarretando a diluição dos esgotos advindos
dos rios Poços/Queimados e Cabuçu/Ipiranga nas
águas do rio Guandu, ainda dentro da Lagoa.
PRESENÇA
DE MICROORGANISMOS NA LAGOA GUANDU
A água
desta lagoa está contaminada com a presença
de despejos orgânicos. Assim na Lagoa, têm-se:
matéria orgânica, aeração natural
e insolação, o que determina o aparecimento
do ciclo do carbono, com crescimento de algas, vegetais superiores
e gás carbônico transformado em alcalinidade.
Desta forma, pode-se afirmar que tal Lagoa é de estabilização
natural de esgotos. Por duas ocasiões foi verificado
um crescimento de uma única espécie de algas,
caracterizando o bloom algal, o que se torna perigoso, quando
reage com o cloro do tratamento da água e há
liberação de toxinas e organo-clorados na água
tratada, como conseqüência pode-se lembrar de Caruaru.
RESULTADOS
ALCANÇADOS COM O MONITORAMENTO
O monitoramento
realizado por técnicos da ETA Guandu, ao longo destes
sete anos proporcionou algumas vitórias para a ETA
Guandu:
- Em
função do relatório sobre a exploração
de areia no rio Guandu, foi aprovada a deliberação
CECA nº 3554 de 02/10/96, regulamentando a atividade
de extração de areia no rio Guandu.
- Em
agosto de 2001, foi inaugurado um novo laboratório
com equipamentos modernos, através do qual poder-se-á
realizar todos os parâmetros preconizados pela Portaria
1469/00 do MS, conferindo maior precisão no controle
de qualidade das diversas águas do processo de tratamento.
- Em
fevereiro de 2002, foi inaugurado um novo Centro de Controle
Operacional (CCO), com automação de mais de
800 pontos de monitoramento contínuo de diversos
parâmetros da ETA Guandu, tornando a operação
mais ágil com tomadas de decisão mais rápidas.
- Está
em andamento o projeto executivo de desvio do rio dos Poços/Queimados
que evitará a entrada de água da Lagoa Guandu
no Sistema de Tratamento de Água do Guandu. Uma obra
de vinte anos que, em breve sairá do papel.
CONCLUSÃO
Como
observado acima, o programa de monitoramento da Bacia do Rio
Guandu, desenvolvido pelos técnicos da ETA Guandu teve
seu êxito, a medida em que identificou as causas e os
efeitos da degradação ambiental na Bacia do
rio Guandu e suas conseqüências para a ETA Guandu.
Contudo, as dificuldades de tratamento da água do rio
Guandu, exemplificadas acima, demonstram a realidade deste
rio. Desta forma, com todo este potencial de degradação,
se não forem tomadas medidas preventivas, em futuro
próximo, a ETA Guandu poderá ter o mesmo destino
da ETA Caxias, com vazão de 0,625m3/s, está
desativada por causa do rio Botas/Iguaçu devido a despejos
industriais, esgotos domésticos e assoreamento de sua
tomada d'água. Assim, para que em futuro próximo
a vida nas áreas abastecidas pela ETA Guandu não
possam ser inviabilizadas causando caos, será necessário
impedir o aumento progressivo da degradação
do rio Guandu, através de medidas enérgicas.
adrianogama@globo.com.br
Clique
no ícone para obter o artigo completo em Word >>>

|