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Introdução
O Rio
Guandu, formado pela confluência do Rio Santana com
Ribeirão das Lajes recebe um aporte de 160m3/s de água
do Rio Paraíba do Sul por intermédio da barragem
de Santa Cecília, no município de Barra de Piraí.
Esse rio, responsável pelo abastecimento de 85% de
água do Rio de Janeiro e Baixada Fluminense, tem sido
gradativamente afetado pela poluição, principalmente,
devido às atividades humanas. O Rio dos Poços
encontra-se em avançado estágio de poluição
e aporta suas águas à Lagoa Guandu, altamente
eutrofizada, conforme evidenciado pelo estudo de sua flora
planctônica(1). O trabalho tem como objetivo avaliar
o nível de poluição hídrica através
do monitoramento dos Rios que compõem o Sistema Guandu.
Metodologia
As coletas
foram feitas durante o ano de 2001, em sete pontos do Sistema
Guandu : Mistura dos Rios (P1), Rio Ipiranga (P2), Mistura
Guandu / Poços (P3), Início da Lagoa (P4), Rio
dos Poços (P5), Final da Lagoa (P6) e Rio Guandu (P7).Os
parâmetros analisados foram: Oxigênio Dissolvido
(OD), cor, pH, turbidez, ferro, amônia, nitrato e coliformes
fecais. As análises seguiram as recomendações
descritas em APHA(2).
Resultados e Discussão
A tabela 1 apresenta o resultado dos parâmetros analisados:
TABELA 1: Média das análises feitas no ano de
2001
| PONTOS |
PROCEDÊNCIA |
OD. |
COR |
PH |
TURB. |
FERRO |
AMÔNIA |
NITRATO |
CF |
| P1 |
MISTURA
DOS RIOS |
6.9 |
84 |
6.9 |
18.6 |
0.555 |
0.289 |
0.48 |
3700 |
| P2 |
RIO
IPIRANGA |
2.2 |
100 |
7.0 |
30.0 |
1.014 |
1.854 |
0.85 |
23375 |
| P3 |
GUANDU/POÇOS |
5.8 |
88 |
7.1 |
21.4 |
0.600 |
0.551 |
0.67 |
34475 |
| P4 |
INÍCIO
DA LAGOA |
5.5 |
156 |
7.2 |
53.8 |
1.322 |
2.200 |
0.95 |
24625 |
| P5 |
RIO
DOS POÇOS |
1.1 |
179 |
6.9 |
46.9 |
1.646 |
3.960 |
1.70 |
92450 |
| P6 |
FINAL
DA LAGOA |
4.9 |
215 |
7.9 |
98.3 |
1.976 |
1.685 |
1.32 |
7650 |
| P7 |
RIO
GUANDU |
7.0 |
86 |
7.2 |
19.0 |
0.551 |
0.462 |
0.72 |
4350 |
Segundo
a Resolução nº 20/86 do CONAMA(3), o Sistema
Guandu pertence à Classe 2, pois seus corpos hídricos
são destinados ao abastecimento doméstico, após
tratamento convencional. Todos os pontos apresentaram pelo
menos um dos parâmetros monitorados em desacordo com
os padrões estabelecidos para esta Classe. Os valores
de OD variaram de 1,1 a 7,0 mg/L. Somente os pontos 1, 3,
4 e 7 tiveram resultados de acordo com o CONAMA (³ 5),
ao contrário do ponto 5 (1,1 mg/L), que apresentou
o menor valor. Os resultados de nitrato (£ 10 mg N/L),
amônia ( > 0,02 mg/L), pH (entre 6 e 9 ) e turbidez
(até 100 UNT) estiveram de acordo com a legislação
em todos os pontos analisados. A cor foi maior que 75 mg Pt/1
e o ferro maior que 0,3 mg/L , estando estes valores acima
do permitido. O índice de coliformes fecais variou
entre 3700 e 92450 UFC / 100mL, ou seja, todos os pontos apresentaram
uma quantidade de coliformes acima do estabelecido pelo CONAMA
(1000 UFC/100mL).
Através do monitoramento foi possível verificar
que vem ocorrendo um processo de degradação
nos corpos hídricos que compõem o Sistema Guandu
em função de atividades humanas como lançamento
de efluentes domésticos e industriais e lixo nas margens
dos rios, aumentando a quantidade de matéria orgânica
nos mananciais. A situação se torna ainda mais
alarmante no Rio dos Poços, que apresentou o menor
valor de OD e a maior quantidade de coliformes fecais. Esses
resultados demonstram que esse Rio tornou-se praticamente
anaeróbico, já que a quantidade de oxigênio
dissolvido na água é próxima a zero.
Esse problema pode ser justificado pelo alto índice
de coliformes fecais indicando que a poluição
desse Rio pelo lançamento de esgoto é consideravelmente
elevada.
Conclusão
Em decorrência
da situação, o monitoramento do Rio Guandu e
seus afluentes, feito anualmente, é de extrema importância
e tem como finalidade melhorar a qualidade dos serviços
da ETA Guandu prestados à população do
Estado do Rio de Janeiro, na medida que água e saúde
estão diretamente vinculados. Programas de Educação
Ambiental também são de fundamental importância
principalmente para as populações que vivem
às margens dos rios, evitando assim que a situação
se agrave ainda mais.
Referências
Bibliográficas
1 - FERREIRA,
A C.S. & MENEZES, M. Flora Planctônica de um reservatório
eutrófico-lagoa Guandu. Município de Nova Iguaçu
/ RJ. 2000.
2 - APHA. Standart Methods for Examination of Water and Wastewater.
18th Edition. American Public Health Association. Washington,
DC. 1998.
3 - CONAMA. Resoluções CONAMA. Secretaria Especial
de Meio Ambiente. Conselho Nacional de Mei Ambiente. Brasília,
DF. 1996.
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