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-INTRODUÇÃO
No Brasil,
na cidade do Rio de Janeiro, um dos locais de maior atração
turística, é a Lagoa Rodrigo de Freitas(1) aos
pés da estátua do Corcovado. Ela fica situada
no perímetro urbano e a sua ligação com
o mar é através de um canal(2) longo, estreito
e
raso.
Estas
condições fazem com que devido à ação
das ondas, o inicio do canal se
obstrua com areia, obrigando a permanência constante
de uma draga(3) no local, para
mantê-lo limpo evitando que a Lagoa transborde durante
as chuvas(4) e, que haja uma
renovação de suas águas com as do mar.
Esta renovação,
no entanto, é insuficiente, fazendo com que periodicamente
ocorram mortandades(5) de peixes na Lagoa. Os primeiros registros
deste fenômeno são de
1645, quando praticamente não existia população
em suas margens e a ligação(6) com o
mar, embora fosse mais ampla, passava a maior parte do tempo
fechada, só se rompendo
por breves períodos, durante as chuvas de verão.
Isto mostra
que a origem do problema está na falta de uma efetiva
renovação
com a água do mar e não necessariamente na poluição(7).
Hoje em dia, com o auxilio de
mini - câmeras de televisão, o vazamento persistente
de esgoto já foi praticamente todo
retirado, com exceção do que vem pelo rio Macacos,
quando a comporta do Piraquê é
mantida aberta.
Para aumentarmos
a troca com a água do mar, poderíamos, por exemplo,
aprofundar o canal em um metro e prolongarmos as suas paredes
laterais atuais, como
propõe o geólogo Moreira Torres(8) um
grande estudioso do assunto, embora não tenha
determinado de quanto acrescentar mar adentro. Isto teoricamente,
evitaria a obstrução
pela areia na maior parte do ano. Mas não nas grandes
ressacas das frentes frias,
dependendo da extensão do prolongamento. Por outro
lado, maiores comprimentos;
maiores perdas de carga; menores vazões. Falta assim
a esta proposta um estudo mais
profundo.
Uma outra
solução seria além de um prolongamento
de 200 m, aumentarmos
a seção do canal, aprofundando e alargando-o,
como propõe a COPPE(9), para que ele se
torne auto-limpante. O custo econômico no entanto, seria
alto, devido as pontes e serviços
públicos a serem remanejados. Nas fortes ressacas,
de acordo com os próprios cálculos do
estudo, o nível médio da Lagoa subiria 1,39m(10),
inundando diversos trechos das
margens, inclusive as pistas de rolamento.
Outro
fato, é que pelas premissas consideradas, o coeficiente
de altura de
rugosidade adotado para o fundo do futuro canal, seria relativo
ao concreto. Isto obrigaria
a construção de ensecadeiras no canal, do lado
do mar e da Lagoa. Os problemas seriam
grandes. Sem falar nos do trânsito, durante a obra.
Um outro
dado importante e, que precisa ser devidamente estudado, é
uma
possível influência da pluma de esgoto do emissário
submarino de Ipanema na Lagoa.
Hoje esta pluma, só se aproxima da praia durante uma
ressaca. Ela não entra na Lagoa
por que o canal do Jardim de Alah, nestas ocasiões
se fecha com areia. Mas e amanhã, com
um canal totalmente aberto, com enrocamentos e, sem areia
obstruindo? Com uma
entrada de água do mar muito maior? Os coliformes não
invadiriam a Lagoa? Para
cessada a ressaca, voltar a poluir as praias lentamente? A
Lagoa, possivelmente, se
transformará num reservatório de coliformes.
O próprio
relatório final dos portugueses, pg. 69, fala desta
preocupação:
No que respeita aos objectivos de qualidade ambiental na Lagoa,
a Solução Alternativa 1 é a
2 que
menos os cumpre, por possibilitar a sua contaminação
de proveniência marítima ". E
ainda mais: é a que se apresenta maior potencial
de irreversibilidade.
- SOLUÇÃO
PROPOSTA
Desde
um longo tempo que existem diversas propostas para a renovação.
Dentre elas, o bombeamento, que foi a alternativa sugerida
pela Universidade de Lund-
Suecia. Estes técnicos, trazidos por iniciativa da
FEEMA, se distinguiam pela experiência
apresentada em todos os tipos de tratamento(11) para a recuperação
de lagoas ao redor do
mundo: desde os países nórdicos, Brasil, Tunísia,
Jamaica, Colômbia e China, entre
outros. A proposta dos suecos, consistia basicamente na retirada
dos esgotos e
principalmente, no bombeamento de 6 m3/s de água do
mar durante dois anos. Após este
período, a vazão bombeada cairia sensivelmente,
só voltando à plena carga após uma
grande chuva.
No pouco
tempo que a equipe do professor Sven Björk esteve por
aqui, em 1975,
foram feitos cálculos teóricos da taxa de renovação
natural (200.000m³/d) e do aporte de fósforo -
alimento das algas - para a Lagoa, através das águas
de chuva e esgoto(60.000 m3/d). Nestas
condições, a concentração de fósforo
na Lagoa atingia valores altíssimos de 165 ug/l, necessitando
serem reduzidos para entorno de 20 ug/l, que seriam um pouco
acima dos 15 ug/l da água do mar.
Os suecos
, seguindo os conceitos de Dillon, montaram um modelo matemático(12)
simplificado, aonde reduzindo-se a contribuição
externa de fósforo (750 ug/l) para a terça parte
(250 ug/l), chegou-se a conclusão que o volume de bombeamento
necessário de água do mar, seria de 500.000m³/d
(6 m³/s). Com isto, a concentração de fósforo
na Lagoa, de 165 ug/l cairia para 23 ug/l .
Posteriormente,
no entanto, foram feitas medições em campo mais
acuradas, pela FEEMA-FUNDAÇÃO ESTADUAL DE ENGENHARIA
DE MEIO AMBIENTE, dos níveis da Lagoa(13) durante os
anos de 1984 e 1985. Pela interpretação destes
dados e das salinidades da água do mar e da Lagoa,
podemos concluir que a renovação media diária
com o mar, não era de 200.000m³/d, como calculado
pelos suecos, mas sim de 22.000m³/d. E a entrada de água
de chuva de 18.000m³, em vez de 60.000m³/d.
Substituindo
estes novos valores no modelo matemático, o volume
necessário de bombeamento, passa de 500.000m³/d
para 130.000 m3/d(14). E por sorte, uma vazão maior
do que esta, poderia ser conseguida de uma forma prática
e econômica usando-se equipamentos e instalações
ociosos, viabilizando o projeto. Com a elevatória do
Leblon(15), conseguiríamos bombear 241.920m³/d
(2,8m³/s), o que é muita acima da vazão
necessária.
A elevatória
de esgotos do Leblon, no passado, tinha a função
de recolher os esgotos da sua bacia própria(16) e de
outras elevatórias e bombeá-los para o Costão
do Vidigal, junto à Av. Niemayer. Porém, com
a construção do emissário submarino de
Ipanema, acabou-se com este lançamento. A maior parte
do esgoto coletado, ficou no meio do caminho, não precisando
mais ir até aquela estação, situada no
final do Leblon. O restante do esgoto, posteriormente, foi
também desviado da elevatória do Leblon. Desta
forma, esta estação ficou como reserva; podendo
assim operar também com água do mar.
Com a
possibilidade da elevatória do Leblon ficar fora do
sistema, será fácil captar a água do
mar, pois a estação está situada nas
pedras, a dois metros abaixo do nível médio
do mar. A captação(18) seria por gravidade,
pelo extravasor atual. Rebaixaríamos a sua geratriz
inferior para haver admissão na maré baixa.
Serão
disponíveis, desta forma, 1100HP ou 241.920m³/d
(2,8m³/s). Esta vazão seria bombeada através
de tubos de concreto(20) de 1,20m de diâmetro, atualmente
abandonados sob a areia da praia do Leblon. Eles foram substituídos
por tubos de ferro(21 ) instalados debaixo do asfalto da Av.
Borges de Medeiros. Dos 1300m, estão faltando somente
90m. O ponto de lançamento seria no 3 canal do Jardim
de Alah, atrás da comporta. Esta seria a primeira etapa.
Numa segunda, o ponto de lançamento se transferiria
para um ponto central a Lagoa, e sem as comportas. O canal
atual seria prolongado 200 m mar adentro, na largura atual.
No inicio,
bombeando - se os 241920 m3/d, o nível da Lagoa subiria
12 cm por
dia e mantendo se este ritmo, por exemplo, por três
dias, o nível se elevaria 36 cm. A
água do mar(22), por ser mais fria e mais densa, iria
para o fundo, enquanto a água
salôbra subiria à superfície. As comportas
do Jardim de Alah e Piraquê estariam
previamente fechadas. Antes de abrirmos as comportas para
descarregarmos a água
salôbra, caso fôsse necessário, daríamos
um jato de água, para permitir a retirada de
algum eventual depósito de areia.
Apesar
de estudos posteriores do LNEC, mostrarem que o prolongamento
do canal já seria condição suficiente
para manter o canal desobstruído, nesta etapa
inicial, poderia haver deposição de areia, nos
períodos em que a comporta estivesse
fechada. Isto por que no estudo do LNEC, as comportas sairíam.
O avanço de 200 m
mar adentro conteria a diminuição(23) das praias
do Leblon e do Arpoador. A areia
ficaria contida na praia. Um outro molhe de contenção,
provavelmente, teria que ser
construído também a partir do canal da Av. Visconde
de Albuquerque, para evitar
que a fuga da areia da praia, interferisse com o canal de
captação das bombas, no
Costão do Vidigal.
A abertura
das duas comportas - Piraquê e Jardim de Alah - fecharia
o ciclo. Esvaziada a Lagoa, repetiria-se a operação,
de enchimento e esvaziamento, até
que a camada superficial de lodo de 1 cm do fundo da Lagoa
fosse oxidada. Segundo
os estudos suecos, isto aconteceria em dois anos (24). A segunda
etapa(25), mais
elaborada, seria a de dispensarmos as comportas e mudarmos
o ponto de lançamento
da água bombeada no canal do Jardim de Alah, para um
ponto central da Lagoa,
próximo a Curva do Calombo. Para isto instalaríamos
uma tubulação, diâmetro 1200
mm, enterrada pelo fundo do canal do Jardim de Alah e da Lagoa,
desde a comporta,
até a Curva do Calombo.
Este projeto
seria alternativo(26). A qualquer momento que se
quisesse, poderíamos parar de bombear água do
mar, passando a operar com esgoto.
Bastaria fecharmos as comportas da captação
de água do mar e abrirmos as de
esgoto, pois a elevatória do Leblon, hoje, funciona
mais como uma estação reserva do
sistema de saneamento, para as situações de
emergência do emissário submarino de
Ipanema. Quando este sofre algum dano, o que é raro,
o esgoto é bombeado para o
Costão do Vidigal, pela elevatória do Leblon.
Desta
forma, estamos apenas aproveitando o seu tempo ocioso e mesmo
assim, só será preciso por dois anos
para a oxidação do lodo do fundo da Lagoa
e
em determinadas situações, por exemplo, após
as chuvas, quando a salinidade não
deverá ficar abaixo de 27 . A salinidade das
águas da Lagoa, depois deste período
de bombeamento a plena carga, ficará entorno de 31,
em comparação com os 35
da água do mar. Após este tempo inicial de renovação
intensa, a vazão necessária de
bombeamento, diminuiria consideravelmente.
O funcionamento
da estação a plena carga, representaria um custo
mensal de energia elétrica(27), em valores de 1995,
de $ 9791,00 ou $ 120.000,00
anuais.
-CAUSAS
DAS MORTANDADES
A necessidade
desta oxidação do lodo(28) , é de que
quando ele estiver
oxidado, se transforma em tabatinga, passando da cor negra
para marrom, e nesta
forma os sais minerais da decomposição das algas
mortas não são liberadas para o
meio, ficando ligados iônicamente ao lodo oxidado
não alimentando novas algas. O
mesmo já não aconteceria se não houvesse
esta oxidação: os sais minerais não
4 ficariam retidos no fundo; retornariam continuamente. A
tabatinga tem a importante
propriedade de adsolver o fósforo, quebrando o ciclo
de formação de novas algas.
A alga por ser um vegetal, de dia produz oxigênio e
consome gás carbônico;
de noite, inverte o mecanismo. O excesso de oxigênio
produzido pelas algas, se perde
para a atmosfera. A água tem uma capacidade limite
de manter este oxigênio
dissolvido.
As algas
no final do seu ciclo de vida de 10-14 dias, produzem menos
oxigênio do que gás
carbônico. Desta forma, havendo um "bloom"(29)
devido a abundância de alimentos - fósforo
principalmente - pode acontecer uma falta de oxigênio
à noite, matando os peixes por asfixia.
Pode acontecer
ainda que a quantidade de toxinas produzidas num bloom
seja letal para os peixes. O excesso de algas ou bloom,
é que dependendo da espécie de alga
provoca o fenômeno da mortandade. Existem milhares de
espécies de algas(30) se
alternando na Lagoa, umas de crescimento mais explosivos do
que outras. A maioria
não é. Uma ventania, ajuda a liberar nutrientes
do fundo para as algas, o que
dependendo da espécie no momento, determinará
a falta ou não de oxigênio a noite.
Ou ainda, a quantidade letal de toxinas para os peixes. Por
isto, nem sempre que
venta forte na Lagoa, morre peixe na Lagoa. O que pode acontecer
mesmo sem vento.
-FINAL
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barra = "";
if (self.parent.frames.length == 0){
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elvetica, sans-serif" size="2">No modelo
matemático usado pelos suecos, fazendo-se as correções,
que
se achou necessário de serem feitas, chegou-se à
vazão de água do mar de
130.000m³/d. Valor este que seria preciso somente por
menos de dois anos. Tempo
suficiente para a oxidação de 1 cm da camada
superficial do lodo do fundo da Lagoa.
Com a elevatória do Leblon conseguiríamos uma
vazão de 241.920 m³/d, que estaria
assim, acima da necessária e, lançada no fundo
da Lagoa, próximo a Curva do
Calombo. A retenção de areia na praia do Leblon
( 31 ) seria feita com o
prolongamento do canal do Jardim de Alah, cerca de duzentos
metros mar adentro,
na largura atual de 10 m e não na de 32 m como propõem
as Alternativas do LNEC.
Até vencer a arrebentação, sem o bico
curvo e, sem alargá-lo. O aprofundamento
poderia ser adiado. Dependendo do grau de risco que queiramos
correr, a decisão do
bombeamento ou não, seria tomada depois que observássemos
os primeiros resultados
com somente o prolongamento do canal, na largura atual.
O que
não faz sentido é urbanizarmos a praça
do Jardim de Alah e
amanhã destruirmos tudo para alargar o canal. Por que
o canal na Alternativa 1,
teria 32 m na praia para logo depois reduzir para 10 m? Não
seria anti estético? O
aumento do comprimento do canal atual, aumentaria as perdas
de carga, diminuindo
a troca de água do mar com a Lagoa. Ela hoje que já
é insuficiente, ficaria menor
ainda. No entanto, esta diminuição de vazão
natural seria compensada pela vazão
bombeada.
Nas marés
altas de sizígia, não seria feito bombeamento.
A água do mar
entraria naturalmente. A proposta de uso da elevatória
do Leblon, é um projeto
alternativo que utiliza equipamentos e instalações
existentes. O seu custo de
instalação de $ 2.000.000,00 acrescido, na pior
das hipóteses, do Valor Presente de $
3.000.000,00 referente aos custos operacionais de energia
elétrica, manutenção e mão
de obra, daria um total de $ 5.000.000,00. Valor este bem
inferior ao da alternativa de
abertura do canal Jardim de Alah, sem provocar inundações
nas elevatórias de esgoto
,margens da Lagoa e, nem esvaziamentos. E sem ainda problemas
de trânsito durante
as obras e nem o perigo de transformar a Lagoa num reservatório
de coliformes.
Os portugueses são especialistas em obras marítimas,
não em sistemas
lagunares. Pelo menos é o que mostra a página
deles na Internet: não existe um único
exemplo, semelhante ao da Lagoa. Eles fizeram um importante
trabalho para as
praias do Leblon e Arpoador. No que se refere a Lagoa, no
entanto, por que não
5 complementarmos o trabalho deles, ouvindo também
os suecos, especialistas em
lagoas, e que conhecem o problema da Lagoa? Com dezenas de
trabalhos já
executados, inclusive, abertura de canal?
A primeira
vista, pelo bom senso, descartaríamos a proposta de
bombeamento. Para que gastarmos energia eletrica se podemos
fazer o mesmo de uma forma natural?
Mais bom
senso, no entanto, é estudarmos as propostas de quem
já teve experiência no assunto.
Flávio
Coutinho
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