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Ao fim
de um dia comum, cada brasileiro produz, em média,
1 quilo de lixo. Em setenta anos de vida, serão cerca
de 25 toneladas de resíduos. Somando o descarte de
todos os brasileiros, o monturo diário chega a 170
000 toneladas, o suficiente para encher 1,7 milhão
de sacos de lixo grandes - quase um Pão de Açúcar
- ao fim de um ano. Dessa montanha de sujeira, 65% são
formados por matéria orgânica pouco aproveitada,
que poderia ser transformada e aplicada na agricultura e na
produção de energia. O restante é composto
de vidro, plástico, papel e metais, materiais recicláveis
que demoram centenas de anos para desaparecer totalmente da
natureza ou são tóxicos ou nocivos ao ser humano.
Todo esse montante é depositado, na maioria dos casos,
em áreas pouco apropriadas, poluindo o meio ambiente.
Há caminhos para diminuir a montanha de lixo. Eles
combinam, além da coleta, seleção, reciclagem,
compostagem, tratamento e destino adequados.
Os resíduos
das cidades são de responsabilidade das prefeituras.
O ideal seria que investissem em aterros sanitários
- áreas com infra-estrutura, em formato de piscinas
gigantes, com solo impermeável em que o lixo é
depositado e coberto com camadas de terra. Nesses locais,
o líquido resultante da decomposição
orgânica, o chorume, não contamina o terreno.
Ao mesmo tempo, há tratamento adequado dos gases emitidos
pelo lixo. Geralmente, os governos municipais só têm
recursos para criar e monitorar poucas áreas controladas,
sem a mesma sofisticação dos aterros. Boa parte
do lixo urbano do país acaba mesmo em lixões
clandestinos e que ficam a céu aberto. Alguns países
europeus, com pouco espaço para o armazenamento dos
resíduos, dão exemplos que podem ser seguidos.
A tecnologia de compostagem do lixo orgânico doméstico
para transformá-lo em adubo está bastante avançada
na Itália.
Em vez
de espalhar os detritos em uma área ao ar livre, revolvendo
a terra para que o lixo se transforme em fertilizante, foi
desenvolvida uma técnica em que o lixo é colocado
em células de concreto. Elas recebem oxigênio
para "alimentar" as bactérias e acelerar
o processo de decomposição. Resultado: em um
mês o composto está pronto para o uso na agricultura.
"O problema é que o lixo brasileiro vem cheio
de pedaços de plástico e vidro. Não dá
para usar como fertilizante", diz o diretor da Associação
Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos
Especiais, Tadayuki Yoshimura.
Esse é
um problema sério. A separação de plásticos,
vidros e papel que acontece no Brasil se deve muito mais ao
trabalho de catadores de lixo do que a conscientização
ambiental. O Brasil é campeão mundial na reciclagem
de alumínio e papelão: cerca de 80% do total
descartado volta para as indústrias, principalmente
pelo trabalho de milhares de catadores. O objetivo do governo
e de algumas entidades ambientais é fazer com que as
classes média e alta também se preocupem com
o assunto e se envolvam na reciclagem. Em uma série
de campanhas, redes de supermercados estimularam a separação
de garrafas de refrigerantes de plástico, que foram
trocadas por cupons de descontos. São ações
isoladas, mas dão resultados: no ano passado, 33% das
270 000 toneladas de resina usada em vasilhames tipo PET vieram
de reciclagem. Uma prova de que acabar com lixo não
é apenas uma questão de qualidade de vida, mas
também pode ser um negócio lucrativo.
Uma
solução para as montanhas de pneus
Há
dois anos, uma lei aprovada no Congresso determinou que as
indústrias de pneus recuperassem e reciclassem 15%
de sua produção, um número que deve chegar
a 100% em dois anos. A Petrobras mantém desde 2001
no Paraná uma unidade que produz óleo combustível,
enxofre e gás a partir de pneus velhos. A cada mês
são destruídos 500 000 unidades de pneus. Estima-se
que existam no Brasil 45 milhões de pneus abandonados
no meio ambiente.
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