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Projeto gigantescos de ligações de rios na Índia: pensem nos oceanos também!

Por Sudhirendar Sharma

Levando o governo a considerar a conexão de todos os principais rios no país para controlar as cheias e secas até o ano 2012, a Suprema Corte parece ter desconsiderado o sucesso das iniciativas dos últimos tempos, da população do país todo, em lutar contra a seca. E aceitando o conselho da Corte, o Governo de certa forma admitiu que as coisas não estão bem com suas medidas fartamente financiadas contra a seca no país.

Apesar das evidências de que represas de grande porte falharam no controle efetivo de inundações e que canais não ajudaram o esforço por melhores colheitas, a corte voltou-se para a solução de engenharia para tirar o país de uma situação de escassez de água generalizada, assegurando acesso eqüitativo à água. A represa do Cauvery foi, sem dúvida, construída pelo mais competente engenheiro e ainda assim permitiu uma crise política fermentada e transbordada como um, ainda pior, conflito de água.

Mas a maior falácia do projeto está enraizada na assupção de que, por todo tempo que virá, os rios do Himalaia terão suficiente fluxo para enriquecer os rios peninsulares de águas conectadas. Se tentativas anteriores de ligar os rios Beas e Sutlej forem alguma indicação, o experimento falhou em manter níveis no histórico reservatório Bhakra. O Conselho de Manejo do Bhakra Beas (BBMB) está agora considerando se uma represa rio acima do reservatório poderia superar a pouca precipitação.

Mudanças do clima global e dos padrões de tempo não estão apenas impactando a cobertura de neve dos Himalaias, mas a distribuição espacial da chuva tem passado por significativa e irreversível mudança também. Conseqüentemente, qualquer tentativa de derivação do rio deve, sem dúvida, trazer ganhos políticos de curto-prazo, mas manter os suprimentos de água em longo prazo continuará um problema sem resposta. Recente reabastecimento do Sabarmati com águas do Narmada precisa ser vista sob essa luz.

Não é um paradoxo que mesmo tendo a ação da comunidade revivido cinco rios há muito tempo esquecidos, na seca região de Alwar, princípios similares não foram aplicados para recarregar o parco Sabarmati? Durante o movimento de independência, muitas decisões históricas foram tomadas sobre os bancos do Sabarmati, quando o rio costumava estar em sua glória prístina, com um fluxo anual de 3.200 milhões de metros cúbicos. Pós-independência, ninguém nunca ao menos questionou o destino do histórico rio, deixado em paz emulando a experiência do Alwar de regeneração de rios mortos!

Comunidades no Alwar pegaram suas partes (menos do que 200 mm) dos 420 "mham" de chuva que o país recebe a cada ano. Elas as retiveram nos milhares de lagos de vilas, usando-a para agricultura e operações aliadas e obtendo a recarga da água subterrânea como um resultado indesejável. A água superficial, acumulada por um período de tempo, ajudou a reviver os velhos rios.
Apesar das variações espaciais em precipitação, cada vila no país pode repetir o que fizeram as comunidades do Alwar para satisfazer suas próprias necessidades. O Centro de Ciência e Meio Ambiente, em Delhi, tem defendido há longo tempo que tudo que se precisa para armazenar um milhão de litros de água em cada vila é uma área de 1 hectare.

Estudos têm ainda mostrado que, quanto menor a área de coleta, melhor sua eficiência na coleta da água de chuva. Enquanto uma pequena área de 0,1 hectare tem 15% de eficiência de coleta de águas de chuva, uma área de 300 hectares comporta apenas 3% de água de chuva. Isso significa claramente que quanto maior a área de coleta (como um projeto de vale de rio) maior a perda de água dele.

Por isso, a preferência do país, em passado recente, em favor de iniciativas de pequenas colheitas de água. Não sem razão o país investiu 8 bilhões de Rs em conservar umidade em uns 6,2 milhões de hectares de terras irrigadas por chuva durante este ano. Usando o princípio de bacias hidrográficas delimitadas, uns 89 milhões de hectares de terras irrigadas por chuva necessitam de investimentos similares. Em todos os padrões, estender medidas de manejo por comunidade, por toda terra servida por chuva, seria muitíssimas vezes mais barato do que ligar grandes rios.

Em todo o mundo, trabalha-se em favor de se tornar o perfil do solo - as 6 polegadas superiores de cobertura de húmus - um reservatório de água. Como demanda por consumo humano e crescimento na agricultura, o melhor caminho é estocar água onde ela cai. Com represas e canais sendo regulados como sendo proibitivamente caros e ineficientes em termos de coleta e entrega de água de chuva, a meta de tornar os perfis do solo verdadeiros reservatórios está encontrando aprovação geral de cientistas e defensores do desenvolvimento.

Mas, para o governo da Índia e a Corte Suprema pensarem em ligar rios neste momento, quando o mundo está procurando por soluções sustentáveis para melhorar a produtividade de água é, sem dúvida, razão de perplexidade. Mais importante, as águas dos rios têm sido consideradas como subservientes às necessidades do homem. A obrigação dos rios de sustentar os ecossistemas frágeis, ao longo de seus caminhos meândricos, parece ter sido descontada do processo.

A ligação proposta dos rios do Himalaia e peninsuares, num custo estimado de Rs 5,56,000 coroas, atrapalharão completamente o ciclo hidrológico. Após o término do projeto, uma boa parte dos rios talvez não chegue jamais ao oceano. O impacto ecológico de reverter um processo natural ainda não está completamente entendido. O fato de o poderoso Mar de Aral, na antiga União Soviética, estar secando é apenas um exemplo do que a modificação de um rio pode ter por conseqüência.

Além disso, os rios Yalu e Colorado não mais chegam ao oceano. Apenas 10 por cento do Nilo chega ao Mediterrâneo. O Ganges e o Yangtse não escorrem completamente para o oceano. Dada a provável importância de modificar o fluxo natural dos rios, parece haver a necessidade de um tratado global que force cada país a honrar suas obrigações ecológicas pelo menos com relação aos grandes oceanos.

* Sudhirendar Sharma - email: <sudhirendar@vsnl.net

15 de novembro de 2002
Para o Water Media Network

 

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