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Todos
sabem [quem não sabia ficou sabendo agora] que a Tsunami
é um fenômeno normal na natureza e essa última
de 2004, no Oceano Índico, com apenas 10 metros de
altura não foi, nem será, a maior que já
aconteceu.
A conhecida
erupção do Cracatoa gerou uma tsunami de 50
m de altura.
Alguns
dizem que a maior tsunami que deixou algum vestígio
na Terra foi aquela causada pelo meteoro que impactou o Golfo
do México gerando uma onda de 1.000 m de altura.
Outra onda famosa foi a que resultou da explosão do
vulcão existente em Santorini, na Grécia, que
partiu a ilha ao meio, e que teria acabado com a antiga cidade
de Alexandria e só recentemente estudada pelos arqueólogos
e geólogos.
Como todo
evento natural [ enchentes, terremotos, furacões, avalanches,
tornados, erupções vulcânicas, etc...]
a tsunami pode ser estudada estatisticamente pelo homem, que
inventou a estatística [depois os políticos
aliados aos economistas inventaram como mentir com a estatística]
.
Sendo assim, o pior evento está sempre por acontecer
ainda que a probabilidade seja pequena.
Assim
é que no Pacífico a ocorrência de tsunamis
com ondas de 100 m de altura é calculada para um período
de recorrência de 1.000 anos e, evidentemente, para
ondas maiores diminui a freqüência de ocorrência
aumentando a probabilidade para ondas menores.
Eu , particularmente, não sei quais as probabilidades
de ocorrência no Oceano Índico, apesar de já
ter freqüentado suas praias mas na época não
estava nem preocupado com isso.
Por exemplo,
um estudo estatístico fixa em 60% a probabilidade de
ocorrer o famoso terremoto chamado de "The Big One"
na Califórnia nos próximos 40 anos. É
lógico [lógica estatística] que quanto
mais tempo se passar mais próxima fica a provável
data de ocorrência. Assim como é lógico
[lógica física] que o número de mortos
deverá ser enorme, pois as pessoas sempre acham que
não vai ocorrer com elas e por isso [falta de lógica]
continuam construindo naquele local condenado "a priori"
apesar das probabilidades de ocorrência do evento serem
altas. O agricultor sempre volta a habitar as encostas férteis
dos vulcões mesmo sabendo que vão ocorrer outras
erupções.
Devemos,
portanto, distinguir bem entre o fenômeno natural e
as conseqüências do mesmo, causadas muitas vezes
pelas inconseqüências dos homens. Saturnino de
Brito diz em seu livro sobre controle de enchentes: "
Todos chamam os rios de violentos mas ninguém acusa
de violentos os homens que comprimem suas margens com suas
construções."
Recentemente,
no verão de 2004, num curso de Hidrologia, no Clube
de Engenharia e também no CEFET-RJ, mencionei o fato
de que devido a situação das encostas, bastaria
uma chuva excepcional para termos desastres com vítimas
fatais em Angra dos Reis e em Teresópolis. Na semana
seguinte ocorreram chuvas fortes em Angra que mataram cerca
de 80 pessoas. Enviei um e-mail para os alunos dizendo que
só faltava Teresópolis, pensando em ocorrências
anuais. Para azar da população uma chuva forte
ocorreu logo na semana seguinte na serra de Teresópolis
com mais umas dezenas de mortos. Não é preciso
bola de cristal para prever o que vai acontecer toda vez que
chover forte na Baixada Fluminense, por exemplo, onde parte
da população vive no que eu chamo literalmente
de Holíndia, abaixo do nível do mar como na
Holanda e com infra-estrutura igual ou pior do que a da Índia.
A estudada e conhecida enchente de 1966 tida como a maior
dos últimos cem anos que arrasou a Cidade do Rio de
Janeiro e causou, além das mortes, graves transtornos
e prejuízos à população causaria,
nos dias de hoje, efeitos muito mais devastadores devido ao
aumento da ocupação desordenada do ambiente
urbano. Nesse caso não adianta nem rezar, pois a próxima
cheia acontecerá, queiram ou não os políticos,
pois se trata de fenômeno normal da natureza. Só
nos resta calcular a freqüência e o período
de recorrência respectivo.
A tsunami
de 2005 que atingiu vários países da Ásia
nos remete à famosa polêmica entre Voltaire e
Rousseau, após o terremoto de Lisboa, em 1775, que
matou cerca de 25% da população da cidade. Isto
correspondeu, na época, a cerca de 60.000 a 75.000
mortes numa única onda que invadiu o estuário
do rio Tejo. Atualmente, com a ocupação urbana
contínua da margem direita do Tejo, de Cascais à
Vila Franca de Xira, passando por Lisboa e ainda da margem
oposta com Cacilhas e arredores, o desastre em número
de mortos seria muito maior para a mesma altura de onda de
cerca de 30 metros. Não é à toa que,
de vez em quando, eu me assustava mesmo com pequenos tremores
de terra quando eu lá morava em Paço d'Arcos,
Concelho de Oeiras, próximo ao Estoril, à beira
do dito cujo rio. Da mesma forma ficava assustado quando,
trabalhando na belíssima República Dominicana,
era obrigado a ficar monitorando pela televisão a aproximação
e a trajetória de um furacão.
Rousseau,
na famosa polêmica com Voltaire, corretamente isenta
a mãe natureza, ao dizer que "não foi a
natureza que, numa área relativamente exígua,
reuniu 20.000 casas de seis ou sete andares no centro de Lisboa".
Como disse um jornalista sobre a natureza: "Podemos imputar
vários adjetivos à mãe natureza, mas
gentil não é um deles.Termos que a definem melhor
são: bruta,amoral e indiferente" .
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