Verso, gôta de orvalho no coração...
Gôta de orvalho que cai no deserto...
Gôta que rola em forma de cantiga...
Verso,
Gôta de orvalho que cai nas águas
Do mar...
Gôta de orvalho em qualquer vastidão,
Em qualquer imensidão do mundo...
No deserto, no oceano ou na vida...
Na vida, cai uma gôta de orvalho,
De vez em quando...
Uma gôta de orvalho nos mares...
Uma gôta de orvalho na tempestade...
Gôta de orvalho,
Pedaço do infinito contra
Um infinito...
Pedaço de solidão que rola
Do mais fundo da criatura
Para o tumulto da vida!...
Verso,
Pétalas de flor murcha num
Canteiro solitário...
Num canteiro morto e vazio
Num canteiro frio,
Como uma gôta de orvalho...
Verso,
Lágrima que ficou nos olhos...
Lágrima fria, tão fria,
Como uma gôta de orvalho...
Extraído do Livro Canto
de Perda e de Procura de
Francisco Sérgio Arraes Moreira
Edições O Cruzeiro
Local: Rio de Janeiro
Ano: 1984
Francisco Sérgio Arraes Moreira,
é irmão da poeta e escritora Vânia Moreira
Diniz,
falecido em 21/02/2004.