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Tsunami
Porque
estavas tão calmo
Aparentemente
Ò
doce mar
Quando
Sem
que esperássemos
Te
levantaste
Numa
colossal parede
Carregada
de raiva
Encolerizada
Vindo
em nossa direcção
Ameaçadoramente
De
garras em riste
Bocarra
pronta para abocanhar tudo
Com
o vento a soprar-te na crista
Empolgado
com teu roncar medonho
Ainda
olhei para ti incrédulo
Quase
paralisado e tremendo das pernas
Ó
gentil mar
Quando
nada mais restava em meus olhos
Que
não um grandioso terror
Uma
vontade imensa de correr
Fugindo
de tua fúria desconhecida
Como
se ora houvesses enlouquecido
Para
te arremessares assim contra o Paraíso
Com
um louca violência nunca antes vista
Arrancado
vidas e árvores à tua passagem
Levando-me
na revoltada correnteza
Arrastando
corpos e barcos juntos
Despedaçando
e ceifando edifícios
Deixando-me
contudo arrasado...
...Mas
vivente
Poisado
Algures num lugar qualquer a salvo
Algo
aliviado por estar vivo
Algo
triste por tanto desespero
Quando
ainda apelava a Deus
Que
aplacasse as forças da natureza
...e
nos perdoasse a todos
Mesmo
aos que acabavam de partir
Para
sempre...
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