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Prezado
Ruy Castro,
Antes
de mais nada quero dizer que li, recomendei e discuti (quantos
papos... ; )
Todos os seus livros. Gostei muito de todos e, especialmente
do "Chega de Saudade" por ter vivenciado e vivido
(QUASE) sempre em Copacabana.
Todavia
encontrei alguns "erros históricos" no seu
último livro que ainda estou lendo: ELA É CARIOCA.
No verbete
"Chico Britto" tenho a informar:
Tive o
prazer e a honra de trabalhar como engenheiro hidráulico
e sanitarista de 1970 a 1978 no famoso e importante ESB -escritório
Saturnino de Brito e no HIDROESB - Laboratório Hidrotécnico
Saturnino de Brito. O primeiro foi fundado pelo engenheiro
Francisco Rodrigues Saturnino de Brito, o original, patrono
da Engenharia Sanitária no Brasil, "primeiro engenheiro
sanitarista do Brasil", com uma imensa obra publicada
no Brasil e na Europa e inventor de diversos sistemas não
patenteados (pois julgava-os, corretamente, um benefício
para a humanidade e não como fonte de renda própria
) entre eles o " tanque fluxível tipo Saturnino
de Brito".
Este,
o original do seu livro, é o que deu nome à
rua do Jardim Botânico.
Pois bem o velho Brito teve 4 filhos: 2 homens e 2 mulheres.
Em homenagem à Augusto Comte o primeiro chamou-se Augusto,
tendo morrido novo na Revolução Paulista e o
segundo FRANCISCO RODRIGUES SATURNINO DE BRITO FILHO, o qual
continuou a obra do pai , tendo se formado na famosa escola
de minas de ouro preto e foi o fundador do HIDROESB.
SATURNINO
DE BRITO FILHO foi, entre outras coisas: presidente do Clube
de Engenharia do Rio de Janeiro, fundador da FEBRAE e da UPADI
(ONGs em que enfiou muito dinheiro do próprio bolso
- que diferença de hoje, não é???), professor
da UB, incentivador do estudo e das pesquisas em diversas
áreas, um grande papo e meu professor e ainda meu primeiro
patrão, com o qual trabalhei até 1978, quando
faleceu de câncer de próstata, após diversas
fugas do hospital, uma delas de pijama e tudo.
Nenhum
dos filhos do velho original Brito se casou e sua herança
ficou distribuída, em testamento, por diversas pessoas
físicas e, sobretudo, por entidades como o Clube de
Engenharia, a FEBRAE e a UPADI. Eu fiquei com diversos livros
de sua imensa biblioteca, os quais ele me havia doado ainda
em vida. Aliás, eu acho que o imenso acervo deixado
está ainda no HIDROESB.
MUITOS
CASOS PODERIA CONTAR AINDA SOBRE OS DOIS SATURNINOS. Recentemente
o Clube de Engenharia cometeu uma gafe dando um prêmio
à "viúva" do Saturnino que era o celibatário
mais convicto que eu conheci. Suponho até que ele deveria
ter várias "viúvas".
Sendo assim, o Chico Britto do seu livro, duro e teso funcionário
da Prefeitura, Francisco Ângelo Saturnino de Britto,
não poderia ser filho do original (nome da rua do Jardim
Botânico), talvez sobrinho, sei lá... Pergunte
ao Senador SATURNINO BRAGA que é também de Campos
e primo do velho Britinho e ao qual fui apresentado por ele
nos idos de 1970. (frase ruim, mas fica assim).
Andei
escrevendo as passagens curiosas e engraçadas da vida
dos dois Saturninos para uma revista de Engenharia Sanitária.
São muitas, nem todas foram publicadas.
Obs.:
Brito filho virou rua na Barra da Tijuca ou Recreio, se não
me engano, junto com outros sanitaristas famosos: Gastão
Sengés, Seroa da Motta, etc...
Ser sanitarista
não dá dinheiro, mas dá nome de rua...
Aguardo resposta.
Abraços,
Jorge Rios. (engenheiro hidráulico e sanitarista há
32 anos).
- também
com esse nome!!!
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