|
MACHADO,
Daniela Santos
Graduanda do 7º Período da Faculdade de Turismo
Universidade
Católica de Petrópolis - RJ
ORIENTADOR
- Teresa Cristina Viveiros Catramby
CO-ORIENTADOR - Deise Ferreira Viana de Castro
RESUMO
O artigo
apresenta o descaso com que o meio ambiente vem sendo tratado
mostrando o quadro em que se encontra, podendo ser modificado
através da educação ambiental.
Sendo citada também, a importância do planejamento
turístico, principalmente, o ecoturismo, listando seus
impactos ambientais negativos e positivos.
PALAVRAS
- CHAVE: educação, meio ambiente, educação
ambiental.
INTRODUÇÃO
Com o
crescimento populacional desordenado no mundo, as pessoas
já não têm onde morar e se refugiam em
lugares impróprios, como encostas, margens de rios,
e outros, causando com isso a poluição do meio
ambiente. Juntamente com a miséria, as indústrias
têm sua parcela de culpa pela lenta degradação
do meio ambiente, que na maioria das vezes fica impune.
Segundo Rodrigues (2000, p 10), o turismo como um essencial
fenômeno, é um dos grandes causadores pelos impactos
ambientais negativos. O que fazer para que esse problema se
amenize? Como conseguir que uma pessoa entenda que se preservar
o meio em que se vive terá uma qualidade de vida melhor?
Então,
começa-se a falar em educação ambiental
que, de acordo com o conceito dos Parâmetros Curriculares
Nacionais, "é a contribuição para
a formação de cidadãos mais conscientes..."
(2001, p.29).
O ecoturismo
surge, então, para unir o útil ao agradável,
ou seja, a sustentabilidade do meio através da educação
ambiental e o uso adequado do meio ambiente. Iniciando a abordagem
do tema, fala-se do ecoturismo e seus impactos ambientais
negativos e positivos. Em seguida, mostra-se a importância
da educação ambiental e a conservação
do meio ambiente.
O homem e a natureza uma parceria que pode dar certo.
EDUCAÇÃO
AMBIENTAL
O futuro
da humanidade vai depender de como a questão ambiental
vem sendo considerada atualmente. O desperdício de
recursos naturais cresce abusivamente, sendo raramente punidos
os responsáveis.
O descaso
com que o meio ambiente vem sendo tratado é explícito
a visão que se tem é que as grandes cidades
estão inseridas dentro de lixeiras. Respira-se um ar
poluído pelas indústrias, meios de transportes,
etc. A poluição visual está presente
em todos os lugares empobrecendo o aspecto das cidades. A
poluição sonora incomoda os animais, afastando-os
de seus ambientes.
Outra
grande preocupação é o lixo gerado pela
população, a necessidade de reciclar é
desesperadora. Os rios viraram esgotos e também lixeiras,
as praias recebem o lixo que tanto os turistas quanto os moradores
deixam, assim como navios e portos são poluidores de
águas.
O mundo
em geral preocupa-se com o setor econômico, segundo
Aulicino (2000, p. 31),
"o Brasil não se caracteriza, sem dúvida,
pela tradição com a preocupação
ambiental..."
O autor explica esse fato contando que quando Caminha chegou
ao Brasil, seu interesse era o retorno econômico. Isso
porque naquela época não tinham descoberto o
turismo.
Como já
foi mencionado, o meio natural encontra-se esgotado pelos
maus tratos do ser humano, situação que pode
ser modificada com um planejamento ambiental.
Segundo Lombardo e Casella (2000, p. 91), "planejar é
escolher os melhores meios para se obter determinados objetivos...".
Na visão
dos PCNs (Parâmetros Curriculares Nacionais)
da principal
função do trabalho com o tema Meio Ambiente
é contribuir para a formação de cidadãos
conscientes, aptos para decidirem e atuarem na realidade socioambiental
de um modo comprometido com a vida, com o bem-estar de cada
um e da sociedade, local e global (PCNs, 2001, p. 29, v. 9,
Meio Ambiente e Saúde).
De acordo
com os PCNs (2001), a educação ambiental é
capaz de transformar o pensamento do homem em relação
à natureza. O ser humano através da educação
ambiental valoriza a natureza, utilizando-a com o mínimo
de impacto possível.
O Projeto
Tamar é um dos exemplos que se pode citar como projeto
de educação ambiental, apresentado pelo FNMA
(Fundo Nacional de Meio Ambiente), além da preservação
do meio ambiente, especialmente das tartarugas marinhas que
estavam em extinção, o Tamar conseguiu resgatar
e valorizar a cultura local, estimulando os moradores a cuidar
para sobreviver (2000, p. 49).
TURISMO
E EDUCAÇÃO AMBIENTAL
O turismo
não sobrevive sem o meio ambiente, por isso todo cuidado
é pouco.
Segundo Ruschmann,
a educação
para o turismo ambiental deverá ser desenvolvida por
meio de programas não-formais, chamando o "cidadão-turista"a
uma participação consciente na proteção
do meio ambiente não apenas durante suas férias,
mas também no cotidiano, no local de residência
permanente ( Ruschmann, 1997, p. 75 ).
O Projeto
Araras, localizado no bairro de Araras no município
de Petrópolis, no estado do Rio de Janeiro, é
um exemplo de educação ambiental. O projeto
existe desde 2001, desenvolvendo programas de infra-estrutura,
saúde, educação, meio ambiente, fortalecimento
comunitário e segurança, tendo como um único
objetivo à melhoria na qualidade de vida de todos (dAvila,
2003, p. 38, By Itaipava, Primavera).
Depois
de uma reunião, os habitantes em parceria com a PMP
(Prefeitura Municipal de Petrópolis), revelaram as
carências nos quesitos educação, meio
ambiente e infra-estrutura. Com esse resultado, o projeto
teve a iniciativa de estimular a coleta seletiva de lixo nas
escolas e no comércio e a organização
de campanhas comunitárias.
O Dia
da Faxina, feita no primeiro ano do projeto foi responsável
pela coleta de 177 toneladas de lixo ao longo da estrada Bernardo
Coutinho, nas margens e no leito do rio Araras. Já
em 2002, foi criado o primeiro Festival da Limpeza, esse festival
incluiu palestras para caseiros e moradores de condomínios,
teatro para a comunidade abordando temas relacionados ao meio
ambiente, o resultado desse evento foram 59 toneladas de lixo
coletadas, hoje o bairro Araras está mais limpo graças
à união dos moradores, escolas, veranistas e
turistas que freqüentam o local atualmente mais satisfeitos
e mais conscientes com essas ações que vêm
sendo realizadas desde a criação do projeto.
Atualmente,
a Ong funciona com Espaço Cultural e onde são
realizadas oficinas de trabalhos manuais para a comunidade
(2003 p. 38, By Itaipava, Primavera).
É
necessário que os moradores percebam a importância
de preservar o meio ambiente, uma comunidade mais consciente
estará mais preparada para receber o turista e cobrar
dele o mesmo respeito que é dado pelos habitantes do
local. Araras, nos dias atuais tem moradores e turistas mais
conscientes e responsáveis pelo meio natural.
ECOTURISMO
Segundo
Wester (1995) citado por Figueiredo, "o ecoturismo é
provocar e satisfazer o desejo que temos de estar em contato
com a natureza, é explorar o potencial turístico
visando à conservação e o desenvolvimento,
é evitar o impacto negativo à ecologia, à
cultura e à estética" (Western, (1995)
apud Figueiredo, 2000, p. 55).
De acordo
com Figueiredo (2000), o turismo é uma atividade econômica
com grande crescimento nas últimas décadas no
Brasil, onde existem áreas naturais sendo exploradas
e valorizadas por ricos patrimônios histórico-culturais,
dando característica ao turismo ambiental, ou seja,
o ecoturismo.
O ecoturismo é um segmento dentro do turismo que infelizmente
em muitas áreas no Brasil está sendo mal explorado,
e os impactos negativos causados por ele já se manifestam.
Através da educação esses impactos podem
ser minimizados. Com a educação ambiental desenvolvida
em comunidades que apresentam uma carência no setor
econômico, e muitas vezes têm um potencial para
desenvolver o ecoturismo, e isso passa por despercebido. Não
basta apenas desenvolver o ecoturismo, é preciso um
planejamento turístico para se obter o turismo sustentável.
De acordo com Ruschmann "o planejamento é uma
atividade que envolve a intenção de estabelecer
condições favoráveis para alcançar
objetivos propostos" (1997, p. 83).
Segundo
Bound - Bovy & Lawson (1977) abordado pela autora, os
objetivos resumidamente são:
- Definir
políticas e políticas de implementação
de equipamentos e atividades, e seus respectivos prazos;
- Coordenar e controlar o desenvolvimento espontâneo;
- Prover os incentivos necessários para estimular a
implantação de equipamentos e serviços
turísticos, para órgãos públicos
e privados;
- Maximizar os benefícios socioeconômicos e minimizar
os custos;
- Garantir que espaços necessários ao desenvolvimento
turístico não sejam utilizados para outras atividades
econômicas;
- Evitar deficiências ou congestionamentos onerosos
por meio de uma determinação cuidadosa das fases
do desenvolvimento;
- Minimizar a degradação dos locais e recursos
sobre os quais o turismo se estrutura, e proteger aqueles
que são únicos;
- Cientificar a autoridade política responsável
pela sua implantação de todas as implicações
do planejamento;
- Capacitar os vários serviços públicos
para a atividade turística;
- Garantir a introdução e o cumprimento dos
padrões reguladores exigidos da iniciativa privada;
- Garantir que a imagem da destinação se relacione
com a proteção ambiental e a qualidade dos serviços
prestados;
- Atrair financiamentos nacionais ou internacionais e assistência
técnica para o desenvolvimento do turismo e a preservação
ambiental;
- Coordenar o turismo com outras atividades econômicas,
integrando seu desenvolvimento aos planos econômicos
e físicos (Bound-Bovy & Lawson, (1977), apud Ruschmann,
1997, p. 85).
Bound-Bovy
& Lawson (1977) citados por Ruschmann,
aponta
a necessidade do planejamento e desenvolvimento do turismo
nas seguintes situações: locais em as empresas
estão se estabelecendo com sucesso, locais de crescimento
acelerado da demanda turística, locais que o turismo
não se desenvolveu satisfatoriamente e locais que o
turismo já apresenta seus impactos negativos ( Bound-Bovy
& Lawson (1977), apud Ruschmann, 1997, p. 86 ).
O planejamento
turístico deve ser cauteloso, os impactos negativos
causados pelo turismo são ameaçadores.
Ruschmann,
em sua teoria, diz que "um planejamento bem elaborado,
consegue-se solucionar com mais eficiência os problemas
futuros e muitas vezes evitá-los" (1997, p. 87).
O ecoturismo,
como é ligado diretamente ao meio ambiente e depende
dos recursos naturais para se concretizar, é um dos
segmentos do turismo que mais causa impacto negativo ao meio
ambiente. O ecoturismo também causa impactos positivos,
que serão citados a seguir.
OS
IMPACTOS AMBIENTAIS CAUSADOS PELO ECOTURISMO
São
grandes e irreversíveis os impactos causados pelo ecoturismo,
Ruschmann faz uma citação de uma de suas obras
(1992b), "Diante da impossibilidade de dissociar os impactos
ambientais e suas conseqüências sobre as comunidades
humanas das localidades vizinhas aos equipamentos de hospedagem"
(1997, p. 62).
Impactos
Negativos segundo Ruschmann:
- Acúmulo
de lixo nas margens dos caminhos e das trilhas, nas praias,
nas montanhas, nos rios e lagos;
- Uso de sabonete e de detergentes pelos turistas, contaminando
a água dos rios e lagos, comprometendo sua pureza e
a vida dos peixes e da vegetação aquática;
- Contaminação das fontes e dos mananciais de
água doce e do mar perto dos alojamentos, provocada
pelo lançamento de esgoto e lixo in natura nos rios
e no oceano;
- Poluição sonora e ambiental;
- Coleta e quebra de corais no mar e de estalactites e estalagmites
das grutas e cavernas para serem utilizados como souvenirs;
- Alteração da temperatura das cavernas e grutas
e aparecimento de fungos nas rochas, causados pelo sistema
de iluminação;
- Pinturas e rasuras nas rochas ao ar livre, dentro das cavernas
e grutas, onde os turistas querem registrar sua passagem;
- Coleta e destruição da vegetação
às margens das trilhas e dos caminhos nas florestas;
- Erosão de encostas devido ao mau traçado e
à falta de drenagem das trilhas;
- Alargamento e pisoteio da vegetação das trilhas
e dos caminhos;
- Ruídos que assustam os animais e provocam sua fuga;
- Turistas que alimentam os animais mais dóceis com
produtos que contém conservantes, que provocam doenças
e até a morte;
- O lixo e o abandono de restos de comida ao ar livre;
- Caça e pesca ilegais, em locais e épocas proibidas;
- Incêndios nas áreas mais secas, provocados
por cigarros, fogueiras e etc;
- Desmatamento para a construção dos lodges
e de equipamentos de apoio(1997, p. 63\64).
Infelizmente
os impactos positivos sã
\n';
document.write(barra);
}
}
changePage();
o poucos, mas não é
preciso desanimar diante de tão pouco.
Impactos Positivos segundo Ruschmann:
- Criação
de áreas, programas e entidades (governamentais e não-governamentais)
de proteção da fauna e da flora; um exemplo:
Projeto Tamar _ Tartarugas Marinhas, citado anteriormente
(1997, p. 62).
Segundo
a pesquisadora, o número de impactos negativos superam
os positivos. A autora chama atenção para o
fato, se deixar de existir áreas naturais, também
não existirá mais turistas (1997, p. 65).
CONCLUSÃO
A educação
ambiental é o primeiro passo de uma grande caminhada
que temos de enfrentar para dar início a um processo
de transformação no pensamento do ser humano,
conscientizar uma pessoa é um trabalho difícil
e demorado, fazer um planejamento ambiental é mais
fácil que concretizá-lo. É preciso que
os objetivos para o desenvolvimento do turismo sustentável
mencionados saiam do papel e sejam praticados.
A preservação
do meio ambiente é de suma importância para a
continuação da sobrevivência da humanidade,
infelizmente, muitos ainda não perceberam o perigo
que estão correndo se não preservarem.
O turismo
por ser uma atividade econômica, gera impactos devastadores
que muitas das vezes são irreversíveis. O ecoturismo,
segmento não totalmente conhecido e não muito
pesquisado, provoca grandes danos à natureza que se
não for bem planejado é desastroso. Mas como
tudo tem seu lado negativo e positivo, o ecoturismo causa
um impacto positivo muito importante, que é a criação
de áreas de proteção ambiental, assim
à atividade pode ser sustentável.
Na minha
teoria, penso que todos nós temos que ter a responsabilidade
de preservar o meio ambiente, não jogando a culpa pela
degradação do meio natural em indústrias,
governos e etc. Somos moradores e somos turistas, cada um
deve saber de sua responsabilidade diante do mundo. Os nossos
atos de hoje, refletirão no futuro de nossos filhos.
Esse artigo
servirá para pesquisas de outros interessados no assunto,
e considero-o como fruto de minha primeira pesquisa para o
meu trabalho de conclusão de curso.
BIBLIOGRAFIA
AULICINO, M. P. (1997) Algumas implicações da
exploração turística dos recursos naturais.
In RODRIGUES, A. B. (org) Turismo e Ambiente - Reflexões
e Propostas. São Paulo: Hucitec. 2000.
BOUN-BOVY, Manuel & LAWSON, Fred. Tourism and recreation
development. Londres, The Architectural Press, 1977.
DAVILA, Cristiane. Revista By Itaipava. Rio de Janeiro. 2003.
FIGUEIREDO, L. A . V. de. (1997) Ecoturismo e participação
popular no manejo de áreas protegidas: aspectos conceituais,
educativos e reflexões. In RODRIGUES, A . B. (org)
Turismo e Ambiente - Reflexões e Propostas. São
Paulo: Hucitec. 2000.
Fundo Nacional do Meio Ambiente. Brasília: Ministério
do Meio Ambiente. 2000.
LOMBARDO, Magda & CASELA, Luana. (1997) Turismo Ambiental:
O caso de Bombinhas (SC). In: Rodrigues, A . B. (org) Turismo
Ambiental Reflexões e Propostas. São Paulo:
Hucitec. 2000.
Parâmetros Curriculares Nacionais. Meio Ambiente e Saúde.
Brasília: Ministério da Educação.
2001.
RODRIGUES, A. B. Turismo e Ambiente - Reflexões e Propostas.
São Paulo: Hucitec .2000.
RUSCHMANN, D. V. D. M. Turismo e Planejamento Sustentável.
São Paulo: Papirus. 1997.
WESTERN, D. Definindo o ecoturismo. In: Lindberg, K &
Hawkins, D. E., eds. Ecoturismo: um guia para planejamento
e gestão. São Paulo: Senac, 1995.
|